Palavra do Provincial

JUBILEU DA ORDEM DOS PREGADORES  1216 - 2016

ENVIADOS A PREGAR O EVANGELLHO

Em 2016 a Ordem dos Pregadores (dominicanos)  completará 800 anos de existência. Por isso se celebrará um ano jubilar com o tema “Enviados a pregar o Evangelho”. Este jubileu recorda a publicação das Bulas promulgadas pelo Papa Honório III há 8 séculos, confirmando a fundação da Ordem em 1216 e 1217. 

O Ano Jubilar propriamente dito se celebrará de novembro de 2015 (festa de todos os santos da Ordem) a 21 de janeiro de 2017 (Bula Gratiarum Omnium largitori) e tem como principal objetivo promover uma renovação da Ordem. E renovar significa entrar em um processo que culmine no envio dos frades a pregar como São Domingos enviou os primeiros irmãos.

Frei Edivaldo Antônio dos Santos (Fr. Bruno)

Notícias

  • O ex-jogador do Manchester United que chegou a ter salário anual de US$ 700 mil e hoje é frade com voto de pobreza
     

    http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40569299

  • “Cuidado com a hipocrisia na Igreja: é uma peste!” E cuidado também com todos aqueles jovens que “querem entrar no seminário porque sentem que são incapazes de se virar sozinhos no mundo”. Se forem particularmente “diplomáticos” ou “mentirosos”, é melhor convidá-los para voltarem atrás. “Os melhores”, no entanto, que “os superiores os mandem à periferia”. Esse é o seu lugar.


    http://www.ihu.unisinos.br/567220-papa-aos-salesianos-cuidado-com-aqueles-que-entram-no-seminario-por-serem-incapazes-de-se-virar-sozinhos-no-mundo 

Sinais de Justiça e Paz

Agenda

Newsletters

Cadastre-se em nosso site e receba nossos tablóides

Nome:
E-mail:

Memória Frei Tito

  • Conheci Frei Tito em 1962, quando me tornei dirigente nacional da JEC (Juventude Estudantil Católica) e ele, dirigente regional do Nordeste. Tinha se deslocado de Fortaleza, onde nasceu, para o Recife, sede dos movimentos de Ação Católica daquela região do país. Tito me chamou a atenção pela simplicidade e obstinação. A timidez não dificultava sua determinação de caráter. E era um jovem, aos 16 ou 17 anos, especialmente alegre, afeito à música.
     
    A fé cristã, o idealismo apostólico, a sede de justiça que a JEC imprimia a seus militantes fez com que se criasse entre nós certa empatia. Estreitada por nossa decisão comum de ingressar na Ordem dos Dominicanos, eu em 1965, ele no ano seguinte.

    Em 1967, Frei Tito e eu passamos a conviver no mesmo convento de São Paulo, no bairro das Perdizes, onde cursávamos Filosofia. Fazíamos parte de um grupo de seminaristas politizados e identificados com o agitado movimento estudantil da época, principal trincheira de resistência frente à ditadura militar. Tito e eu, como outros, fazíamos cursos complementares na USP, o que nos aproximou das lideranças estudantis. Como o demonstram o livro e o filme “Batismo de Sangue”, foi Frei Tito quem conseguiu o sítio no qual se realizou o célebre congresso clandestino da UNE, em Ibiúna, 1968, no qual foram presos mais de 700 estudantes.

    Tito tinha o dom de fazer amigos, especialmente com pessoas mais velhas. O doutor Samuel Pessoa, o mais renomado parasitologista do Brasil, e sua mulher, dona Jovina, o tratavam como filho. O fato de eles serem um casal comunista e ateu não dificultava o diálogo. E na medida em que vários militantes comunistas se afastaram do Partido Comunista Brasileiro, que repudiava a luta armada, e se aproximaram de Carlos Marighella, fundador da ALN (Ação Libertadora Nacional), que a apoiava, isso fez com que Tito e o grupo de estudantes dominicanos atuassem como base de apoio aos guerrilheiros urbanos.

    Tito tinha alma de poeta, sensibilidade de artista, vocação de monge recluso e um irradiante amor à vida. Esse engajamento na luta contra a ditadura nos levou, em 1969, à prisão. Frei Tito passou pelas torturas em novembro daquele ano e, de modo especial, em fevereiro de 1970, por ocasião da prisão do proprietário do sítio de Ibiúna. Queriam que Tito assinasse comprovando que, nós dominicanos, havíamos pegado em armas. Tito não cedeu. Porém, próximo ao limite de suas forças, preferiu morrer do que prejudicar seus irmãos. Com uma gilete, cortou a artéria do braço esquerdo. Socorrido no Hospital Militar, ficou com sérias seqüelas psíquicas.

    No Presídio Tiradentes, tomei-lhe o depoimento. Divulgado no exterior, mereceu o prêmio de Reportagem do Ano (1970) da revista Look, dos EUA. Seqüestrado o embaixador suíço, Tito foi incluído na lista dos presos que deveriam ser soltos em troca da vida do diplomata. A última vez que nos vimos foi em janeiro de 1971, quando deixou o Tiradentes a caminho do exílio, condenado pela ditadura ao banimento do país. Ele estava triste. Teria preferido não viajar, mas não havia alternativa, pois se não saísse os militares certamente explorariam a sua recusa a favor do regime.

    Depois, recebi notícias freqüentes e esparsas de Tito: sua chegada em Santiago do Chile, a viagem para Roma, a rejeição sofrida num seminário que funciona à sombra do Vaticano, a transferência para Paris, os fantasmas que o assaltavam, a onipresença dos torturadores em sua mente... Por recomendação médica, Tito mudou-se para nosso convento próximo a Lyon, cujas cercanias rurais lhe fariam bem, supunham os médicos. Foi ali, a 10 de agosto de 1974, que Frei Tito, aos 28 anos, preferiu – como escreveu em sua Bíblia – “morrer do que perder a vida”. Para buscar a unidade que havia perdido deste lado da vida, enforcou-se sob a copa de um álamo.

    Hoje, o túmulo de Frei Tito é o mais visitado no cemitério de Fortaleza. E inúmeras obras de arte já foram inspiradas por sua trajetória, por seu testemunho, por seu exemplo.

    Frei Betto , Natal de 2007